1º Domingo do Advento – Ano A
27 Novembro 2016
EVANGELHO – Mt 24, 37-44
Evangelho de Nosso Senhor Jesus
Cristo segundo São Mateus
Naquele tempo,
disse Jesus aos seus discípulos:
«Como aconteceu nos dias de Noé,
assim sucederá na vinda do Filho do homem.
Nos dias que precederam o dilúvio,
comiam e bebiam, casavam e davam em
casamento,
até ao dia em que Noé entrou na arca;
e não deram por nada,
até que veio o dilúvio, que a todos levou.
Assim será também na vinda do Filho do
homem.
Então, de dois que estiverem no campo,
um será tomado e outro deixado;
de duas mulheres que estiverem a moer com a
mó,
uma será tomada e outra deixada.
Portanto, vigiai,
porque não sabeis em que dia virá o vosso
Senhor.
Compreendei isto:
se o dono da casa soubesse a que horas da
noite viria o ladrão,
estaria vigilante e não deixaria arrombar a
sua casa.
Por isso, estai vós também preparados,
porque na hora em que menos pensais,
virá o Filho do homem.
AMBIENTE
Os capítulos 24 e 25 do Evangelho segundo Mateus
apresentam o último grande discurso de Jesus antes da sua paixão e morte. Para
compô-lo, Mateus reelaborou o chamado “discurso escatológico” de Marcos (cf. Mc
13), ampliando-o e mudando substancialmente o tema central: se no discurso
transmitido por Marcos a questão principal é a dos sinais que precederão a
destruição de Jerusalém e do Templo, no discurso reelaborado por
Mateus a questão central é a da vinda do Filho do homem e das atitudes com que
os discípulos devem preparar a dita vinda.
Esta mudança de perspectiva pode explicar-se a partir da
situação em que vivia a comunidade de Mateus e com as suas necessidades.
Estamos na década de 80. Passaram dez anos sobre a destruição de Jerusalém e ainda não aconteceu a
segunda vinda de Jesus. Os crentes estão desanimados e desiludidos… O
evangelista contempla com preocupação os sinais de abandono, de desleixo, de
rotina, de esfriamento que começam a aparecer na comunidade e sente que é
preciso renovar a esperança e levar os crentes a comprometer-se na história,
construindo o “Reino”. Nesta situação, Mateus descobre que as palavras de Jesus
encerram um profundo ensinamento e compõe com elas uma exortação dirigida aos
cristãos. Esta exortação fundamenta-se numa profunda convicção: a vinda do
“Filho do homem” é um facto certo, ainda que não aconteça em breve; enquanto
não chega o momento, é preciso preparar este grande acontecimento, vivendo de
acordo com os ensinamentos de Jesus.
A linguagem destes capítulos é estranha e enigmática…
Trata-se, no entanto, de um género usado com alguma frequência por alguns
grupos judeus e cristãos da época de Jesus. É a linguagem “apocalíptica”,
porque o seu objetivo é “revelar algo escondido” (“apocaliptô”). Em muitas
ocasiões, esta revelação é dirigida a comunidades que vivem numa situação de
sofrimento, de desespero, de perseguição; o objetivo é animá-las, dar-lhes
esperança, mostrar-lhes que a vitória final será de Deus e dos que lhe forem
fiéis.
MENSAGEM
Para Mateus, a vinda do Senhor é certa, embora ninguém
saiba o dia nem a hora (cf. Mt 24,36); aos crentes resta estar vigilantes,
preparados e ativos… Para transmitir esta mensagem, Mateus usa três quadros…
O primeiro (vers. 37-39) é o quadro da humanidade na época
de Noé: os homens viviam, então, numa alegre inconsciência, preocupados apenas
em gozar a sua “vidinha” descomprometida; quando o dilúvio chegou, apanhou-os
de surpresa e impreparados… Se o “gozar” a vida ao máximo for para o homem a
prioridade fundamental, ele arrisca-se a passar ao lado do que é importante e a
não cumprir o seu papel no mundo.
O segundo (vers. 40-41) coloca-nos diante de duas
situações da vida quotidiana: o trabalho agrícola e a moagem do trigo… Os
compromissos e trabalhos necessários à subsistência do homem também não podem
ocupá-lo de tal forma que o levem a negligenciar o essencial: a preparação da
vinda do Senhor.
O terceiro (vers. 43-44) coloca-nos frente ao exemplo do
dono de uma casa que adormece e deixa que a sua casa seja saqueada pelo ladrão…
Os crentes não podem, nunca, deixar-se adormecer, pois o seu adormecimento pode
levá-los a perder a oportunidade de encontrar o Senhor que vem.
A questão fundamental é, portanto, esta: o crente ideal é
aquele que está sempre vigilante, atento, preparado, para acolher o Senhor que
vem. Não perde oportunidades, porque não se deixa distrair com os bens deste
mundo, não vive obcecado com eles e não faz deles a sua prioridade fundamental…
Mas, dia a dia, cumpre o papel que Deus lhe confiou, com empenho e com sentido
de responsabilidade.
(In, www.dehonianos.org)
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