A Faixa de Gaza é uma estreita
fatia de território encaixada entre o Egipto, a sul, Israel, a leste a norte, e
o Mediterrâneo. Tem uma superfície de apenas 360 quilómetros quadrados, o que
significa que ocupa uma área pouco maior do que o concelho de Sintra mas mais
pequena do que a do concelho da Figueira da Foz. É um pequeno rectângulo de uns
40 quilómetros de comprido por nove de largura. Nela vivem 1,8 milhões de
palestinianos, o que faz desse enclave uma das regiões do mundo mais densamente
povoadas: cinco mil habitantes por quilómetro quadrado.
A Faixa de Gaza vai buscar o seu nome à cidade de Gaza, há vários
milénios uma das cidades mais importantes da região e que foi conquistada e
reconquistada inúmeras vezes.
No plano de partição das Nações Unidas (1947) a Faixa de Gaza era
entregue ao novo estado árabe a criar na Palestina, mas depois da guerra de
1948 acabou por ficar sob jurisdição egípcia até à Guerra dos Seis Dias (1967),
quando foi ocupada por Israel. Em 1993, depois dos acordos de Oslo, a
administração civil de Gaza passou para a Autoridade Palestiniana, e foi lá que
Yasser Arafat, regressado do exílio
em Tunes, começou por se instalar.
Em 2005 Israel decidiu retirar-se por completo deste pedaço de
território, um gesto unilateral decidido por Ariel Sharon. Todos os colonatos israelitas foram então evacuados e
entregues à Autoridade Palestiniana. Pouco depois, em 2006, o Hamas,
maioritário entre a população de Gaza, ganha as eleições legislativas e, ao não
conseguir chegar a acordo com a OLP, toma o poder neste território e dele
expulsa violentamente as outras facções palestinianas.
Tem sido a partir deste
território que, nos últimos anos, têm sido disparados contra Israel e os seus
centros urbanos milhares de misséis Qassam.
Apesar do controle exercido na fronteira com o Egipto, nunca Israel e os seus
aliados conseguiram impedir o contrabando de armas para Gaza, armas que depois
são utilizadas nestas acções. Esta actividade esteve na origem da curta guerra
de 2008/2009, quando Israel desencadeou uma operação militar que incluiu uma
invasão por terra através da qual tentou acabar com o disparo permanente de
rockets. Neste momento podemos estar a assistir à preparação de uma operação
semelhante.
O essencial para entender
o conflito israelo-palestiniano
José Manuel Fernandes
Observador – 14 de Julho de 2014

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