José Manuel
Fernandes
Observador – 13 de Julho de 2014
As fronteiras reconhecidas internacionalmente de Israel
resultam da guerra de 1948, quando o nascente estado judaico derrotou vários
exércitos árabes – egípcio, jordano e sírio – numa guerra que se seguiu à
decisão das Nações Unidas de dividir o território da Palestina em dois estados,
um para os judeus, outro para os árabes.
O mapa proposto pelas Nações Unidas
Os líderes israelitas, encabeçados por David Ben Gurion,
decidiram aceitar a partição e proclamaram de imediato o novo Estado de Israel.
O mesmo não sucedeu com os árabes da Palestina que, apoiados pelos estados
vizinhos, acreditaram poder esmagar os judeus e reclamar para si todo o
território. Não foi isso que sucedeu. Apesar de uma flagrante inferioridade
numérica, o exército israelita conseguiu derrotar os diferentes exércitos
árabes, alargando de forma substantiva o território que resultara da partição
decidida pelas Nações Unidas. As fronteiras reconhecidas de Israel resultam
dessa guerra e foram as existentes até à Guerra dos Seis Dias, em 1967.
Nesse ano, o governo trabalhista, ciente de que nas
fronteiras do estado judaico se estavam a acumular os exércitos da Síria, da
Jordânia e do Egipto, decidiu atacar primeiro e, numa operação militar que
entrou para a história, derrotou em menos de uma semana todos os seus
opositores, ocupou o resto dos territórios da Palestina – a sul a Faixa de
Gaza, que estava sob administração egípcia, a leste a Cisjordânia, administrada
por Amã -, a que acrescentou a Península do Sinai, conquistada ao Egipto, e os
Montes Golã, antes parte da Síria.
As fronteiras de Israel de 1948 a 1967
Os acordos de paz de 1979, entre Israel e o Egipto
permitiram a devolução do Sinai. Quanto à Faixa de Gaza, Israel retirou-se
completamente desse território em 2005, por decisão unilateral promovida pelo
então primeiro-ministro Ariel Sharon.
Os acordo de Oslo, 1993, permitiram a autonomização de uma
Autoridade Palestiniana, com jurisdição sobre a Faixa de Gaza e a Cisjordânia
(à excepção dos colonatos), entidade essa para a qual Israel iria gradualmente
transferindo soberania segundo um regime faseado até que as partes alcançassem
um acordo final.
Nos dias de hoje a Autoridade Palestiniana está, na
prática, dividida em duas, pois na Faixa de Gaza o poder é do Hamas enquanto na
Cisjordânia ele continua a ser controlado pela Fatah, o maior grupo da
Organização de Libertação da Palestina, OLP. A soberania da Autoridade
Palestiniana é limitada, pois não pode ter um exército, apenas forças
policiais, não controla totalmente as suas fronteiras e depende de Israel para
coisas tão elementares como o acesso a um aeroporto internacional.
Em 2012 as Nações Unidas concederam o estatuto de “estado
observador não-membro” ao autodesignado Estado da Palestina. Trata-se de um
estatuto semelhante ao do Vaticano que muitos interpretaram como um
reconhecimento de facto do estado soberano da Palestina, de resto proclamado
desde Novembro de 1988.
Tanto Israel como a Autoridade Palestiniana reclamam
soberania sobre Jerusalém. Israel declarou a cidade santa das três religiões
como sendo a sua capital, um gesto que não é reconhecido pela maior parte dos
países com quem mantém relações diplomáticas, que mantiveram as suas
representações diplomáticas em Telavive.


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