As Intifadas foram revoltas
que começaram de forma semi-espontânea e corresponderam a uma fase nova do
conflito.
De 1948 a 1973, isto é, da Guerra da Independência à Guerra do Yom
Kippur, Israel teve sobretudo que travar guerras convencionais, em que
exércitos bem armados se enfrentaram nos campos de batalha, sendo que a vida
quotidiana era constantemente pontuada pelos ataques dos fedayeen, nomedamente
a partir de Gaza, do Egipto e da Jordânia, e pelas contra-respostas israelitas.
A partir de 1967 e da ocupação dos territórios, o terrorismo tornou-se a
maior ameaça. Mas ninguém verdadeiramente foi capaz de prever o que se passou a
partir de 1987, quando começou a primeira Intifada, a “revolta das pedras”.
Entre Dezembro desse ano e Setembro de 1993, quando foram assinados os acordos
de Oslo, a população palestiniana fustigou de forma permanente as forças de
segurança e os militares de Israel. Tudo servia: pedras, coktails molotov,
greves, manifestações, protestos, grafitti, boicotes, desobediência civil e por
aí adiante.
A primeira Intifada foi desencadeada por um incidente banal: a colisão
entre um camião do exército israelita e uma viatura palestiniana de que
resultaram vários mortos. A informação de que o acidente fora deliberadamente
provocado incendiou os ânimos e foi o rastilho da revolta. Esta espalhou-se
rapidamente, mobilizou grande parte da sociedade palestiniana e, esmo sem ter
uma liderança formal, foi muito influenciada por líderes civis que defendiam
uma abordagem sem a violência que caracterizara os combates dos fedayeen e sem
recurso ao terror.
Esta revolta, que Israel encarou num primeiro momento como devendo ser
quebrada, acabou por provocar uma inflexão de políticas, mostrando que era
mesmo necessário encontrar uma solução de auto-governo para a Faixa de Gaza e
para a Cisjordânia, assim abrindo caminho aos acordos de Oslo.
A segunda Intifada, também conhecida como a Intifada de Al-Aqsa, iniciou-se em Setembro de 2000, depois de
Ariel Sharon, então líder da oposição, ter realizado uma visita ao Monte do
Templo, visita que foi interpretada como sendo uma provocação. Esta revolta
palestiniana surgiu dois meses depois do falhanço da negociação de um acordo de
paz definitivo numa nova cimeira em Camp David, um falhanço cuja
responsabilidade foi genericamente atribuída à parte palestiniana.
Os primeiros dias da Segunda Intifada caracterizaram-se por numerosos
confrontos entre manifestantes palestinianos e a polícia israelita, mas a
violência escalou de nível depois de a população de Ramallah ter linchado dois
reservistas israelitas que estavam detidos numa esquadra de polícia.
A segunda Intifada foi
muito mais violenta do que a primeira, tendo sido marcada por alguns atentados
suicidas muito mortíferos e por ataques israelitas em larga escala. De uma
forma geral considera-se que terminou com a trégua negociada entre Ariel Sharon
e um recém-eleito Mahmoud Abbas na cimeira de Sharm el-Sheikh, no Egipto, em
2005. Nessa altura já Yasser Arafat tinha morrido de doença.
O
essencial para entender
o
conflito israelo-palestiniano
José
Manuel Fernandes
Observador – 14 de Julho de 2014

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