Depois de ter combatido e vencido a Guerra da Independência, em 1948, e a Guerra dos Seis Dias, em 1967, nas quais conseguiu derrotar vários
exércitos árabes ao mesmo tempo – sobretudo Egipto, Jordânia e Síria, mas
também Líbano e Iraque -, Israel enfrentou em 1973 uma terceira guerra
convencional em que chegou a temer pela sua sobrevivência. Foi a guerra do Yom Kippur, assim conhecida por os
exércitos árabes terem atacado durante a festa mais importante do calendário
judaico.
Na frente do Sinai o exército egípcio logrou atravessar o
canal do Suez em diversos pontos e avançar rapidamente, só sendo obrigado a
recuar depois de um conjunto de audaciosas manobras chefiadas por Ariel Sharon. Esses avanços puderam ser
apresentados aos egípcios, muito traumatizadas pela humilhação da derrota de
1967, como uma grande vitória, o que facilitou o caminho ao Presidente egípcio,
Anwar El Sadat, e à sua aproximação a
Israel.
Com mediação de Jimmy
Carter, então Presidente dos Estados Unidos, Anwar El Sadat reuniu-se com o primeiro-ministro israelita Menachem Begin (que era o primeiro
não-trabalhista a chegar à chefia do governo desde a independência) na
residência de férias do presidente americano, em Camp David. Foi aí que em
Setembro de 1978 os dois estadistas chegariam a acordo, firmando uma paz que
lhes garantiria, semanas depois, o Prémio Nobel. Formalmente esses acordos foram
assinados um pouco mais tarde, em Março de 1979.
Os acordos traduziram-se em dois documentos. Um regulava a
relação entre o Egipto e Israel, consagrava a devolução da Península do Sinai e
tem funcionado até hoje. Desde Sadat que o Egipto passou para a órbita dos
Estados Unidos e mantém uma relação de paz fria com Israel. Suspenso da Liga
Árabe, que retirou a sua sede do Cairo, ficou isolado entre os países da região
durante grande parte da década de 1980 por causa deste acordo, o Egipto
recuperou entretanto a sua posição e viu a Jordânia juntar-se, em 1994, ao
grupo dos países que assinaram acordos com o Estado judaico.
O segundo documento pretendia regular a questão
palestiniana e previa a retirada de Israel da Faixa de Gaza e da Cisjordânia.
Nunca foi aplicado.
A audácia de Sadat acabaria contudo por lhe custar a vida:
foi assassinado em 1981, durante uma parada militar, por extremistas que se
opunham à paz com Israel.


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