O essencial para entender
o conflito israelo-palestiniano
José Manuel Fernandes
Observador – 14 de Julho de 2014
“A catástrofe”, ou
“nakba” em árabe, é a forma como os
palestinianos geralmente designam o grande êxodo de 1947-48, quando o ambiente
de guerrilha que estalou no território e a posterior guerra da independência
terminou com a vitória de Israel.
A guerra intestina entre as comunidades árabes e judaicas
começou ainda durante o mandato britânico e prolongou-se até ao final de 1948,
quando também acabou a primeira guerra israelo-árabe que se iniciou mal Israel
declarou a independência, a 14 de Maio de 1948.
Estima-se que cerca de 700 mil palestinianos tenham
deixado as suas casas durante este período, refugiando-se nos países vizinhos
ou nos territórios que não foram ocupados pelo exército judeu durante a guerra
da independência.
Quase 70 anos depois a historiografia ainda se divide
sobre as razões fundamentais do êxodo. Do lado palestiniano fala-se de limpeza
étnica deliberada. Do lado israelita de uma fuga que teve muitos motivos mas
que foi incentivada pelos líderes palestinianos da época.
De uma forma geral sabe-se que a maioria dos árabes que
vivam nas zonas que viriam a integrar o Estado de Israel fugiram de suas casas.
Uns fizeram-no em pânico. Outros por não quererem viver sob as novas
autoridades. Alguns foram forçados a partir pelo exército judaico. Tal como
alguns também partiram respondendo apelos dos líderes árabes, nomeadamente na
véspera da sua intervenção armada contra o Estado recém-proclamado.
Na mitologia da Nabka
há um lugar central: Deir Yassin.
Esta povoação, que tinha sido ocupada por soldados de uma brigada iraquiana,
situada nos arredores de Jerusalém, foi atacada por unidades dos nacionalistas
radicais do Irgun durante os combates
pelo acesso à Cidade Santa. Dos combates resultaram mais de 100 mortos,
incluindo mulheres e crianças que habitavam essa aldeia, mas este resultado –
que foi apresentado de imediato como um massacre e que ocorreu na sequência de
outros massacres, estes realizados por milícias palestinianas, sublinhe-se –
foi noticiado com tal destaque que acentuou as reacções de pânico em algumas
aldeias e vilas árabes, levando à fuga dos seus habitantes.

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