Jerusalém é a Cidade Santa de três religiões monoteístas. Só esta
constatação permite perceber os dilemas que o futuro da cidade coloca. Situada
numa planalto a cerca de 700 metros de altitude, habitada por quase 900 mil
almas, esta é uma das mais antigas cidades do mundo e uma das mais disputadas.
É a cidade de Salomão que Nabucodonosor arrasou; a cidade de Herodes que os
romanos conquistaram; a cidade pela qual os cruzados lutaram e que Saladino
reconquistou; a cidade que os ingleses tomaram em 1917, que Adbullah el-Tell
defendeu em 1948 e que Rabin conquistou em 1967.
Quando as Nações Unidas delinearam o seu plano de partilha da Palestina
do mandato britânico, em 1947, Jerusalém deveria permanecer como uma entidade
independente, sob jurisdição da comunidade internacional. Não foi isso que
sucedeu: a parte ocidental da cidade ficou sob controle israelita e a metade
oriental, mais toda a cidade velha e os seus inúmeros locais de culto, sob
jurisdição jordana. De 1948 a 1967 esse controlo traduziu-se em enormes
limitações de acesso aos seus locais sagrados de cristãos e, sobretudo, de
judeus.
Desde a guerra dos Seis Dias que Jerusalém e a cidade velha estão sob
controle de Israel, que entretanto transferiu para Jerusalém Ocidental todo o
aparato de um Estado central, desde o Parlamento (Knesset) às instalações do
diferentes ministérios. Em Jerusalém Ocidental situam-se também alguns dos mais
importantes museus nacionais israelitas, como o Museu do Holocausto, Yad
Vashem, assim como o cemitério onde estão sepultadas as principais figuras do
jovem Estado.
A cidade continua muito dividida, existindo uma metade árabe e uma
metade israelita que não se misturam, apenas se cruzam em locais como a Porta
de Damasco.
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| Jerusalém - Porta de Damasco |
Em Jerusalém os judeus
mais ortodoxos tem uma expressão importante, alargando a sua influência a
um complexo de bairros inteiros onde vivem de acordo com costumes que
entram em contradição de difícil harmonização com a tradição mais laica dos
pais fundadores do Estado judaico. Este elemento, juntamente com o peso
histórico e toda a querela política, fazem de Jerusalém Ocidental, a metade
judaica, uma cidade muito diferente, cultural e sociologicamente, de Telavive,
por exemplo. Ao que não será estranho o facto de Jerusalém estar numa serra, a
800 m de altitude, e Telavive espraiar o seu hedonismo numa baía, junto ao mar.
O essencial para entender
o conflito israelo-palestiniano
José Manuel Fernandes
Observador – 14 de Julho de 2014

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