sexta-feira, 25 de novembro de 2016

4. Que importância teve a declaração de Balfour?

O essencial para entender 
o conflito israelo-palestiniano
José Manuel Fernandes
Observador – 14 de Julho de 2014

Arthur James Balfour (1840-1930)
Em 1917, o ministro dos Negócios Estrangeiros do Reino Unido, Arthur James Balfour, enviou ao Barão Rothschild, para que ele entregasse ao movimento sionista, uma carta onde se escrevia:

“O governo de Sua Majestade encara favoravelmente o estabelecimento, na Palestina, de um Lar Nacional para o Povo Judeu, e empregará todos os seus esforços no sentido de facilitar a realização desse objetivo, entendendo-se claramente que nada será feito que possa atentar contra os direitos civis e religiosos das coletividades não-judaicas existentes na Palestina, nem contra os direitos e o estatuto político de que gozam os judeus em qualquer outro país”.

Lionel Walter Rothschild (1868 – 19379






Ainda hoje se discutem as motivações do governo britânico na época. Vivia-se a I Guerra Mundial e os dois campos adversários tanto procuravam atrair um máximo de simpatias dos judeus seus nacionais, como dividir os potentados árabes e virá-los contra o outro lado. Assim, por um lado, a declaração Balfour visava conseguir a simpatia dos judeus, muitos dos quais não suportavam a aliança com a Rússia Czarista, e, por outro lado, garantir que a emigração de judeus para a Palestina ajudaria a mitigar as consequências da tomada de poder sobre Constantinopla concedida aos mesmos russos por britânicos e franceses.

A declaração não foi recebida com entusiasmo pelo movimento sionista, pois nela não se falava em “Estado judeu”, apenas em “Lar Nacional”, mas revelar-se-ia decisiva para legitimar a emigração para a Palestina e, mais tarde, para dar uma base legal à reivindicação sionista, ao ser anexada ao Tratado de Sèvres (1920), que regulou o pós-primeira guerra no Médio Oriente. Foi esse tratado que traçou as novas fronteiras do Médio Oriente e entregou aos britânicos a tutela da Palestina. Iam iniciar-se as décadas em que, com mandato dado pela Liga das Nações, o Reino Unido iria administrar a estreita faixa de terra encravada entre o mar Mediterrâneo e o rio Jordão.

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