O essencial para entender
o conflito israelo-palestiniano
José Manuel Fernandes
Observador – 14 de Julho de 2014
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| Sir Moses Haim Montefiore (1784 - 1885) |
No final do século XIX não eram muitos os judeus que
viviam na Palestina. Havia algumas colónias – como a fundada pelo financeiro e
filantropo Moses Montefiori em meados do século nos arredores de Jerusalém -,
mas a presença judaica era ainda pequena: quase metade dos 35 mil emigrantes
que tinham chegado a partir de 1882 vindos da Rússia não se conseguiram fixar.
A estratégia sionista nas primeiras décadas so século XX
foi a de promover a imigração para a Palestina, onde os novos habitantes
começaram a chegar a pouco e pouco, comprando casas e terrenos, construindo
novas aldeias e depois cidades – como Telavive, fundada em 1909 nuns terrenos
desolados um pouco a norte do velhíssimo porto de Jaffa -, criando as
cooperativas que mais tarde dariam origem aos kibbutz, onde se vivia num regime parecido com o comunismo
primitivo numa base voluntária.
A migração para a Palestina, que inicialmente foi tolerada
pelas autoridades otomanas, começou a gerar tensões no tempo do mandato
britânico. Nessas décadas que vão de 1920 ao fim dos anos 40, sucederam-se
revoltas árabes e judaicas, reivindicando ambas as comunidades o direito a
constituírem um Estado independente. Os ingleses foram tendo cada vez mais dificuldade
em controlarem a situação.
Como noutros locais, a História acelerou-se com a II
Guerra Mundial. Do lado árabe, as principais autoridades, com destaque para o mufti de Jerusalém, optaram por uma
aproximação à Alemanha nazi, daí esperando tirar vantagens para barrarem o
caminho aos judeus. Do lado judeu a luta mais institucional conduzida pelo
homens de Ben-Gurion foi desafiada
pelo activismo radical do Irgun, o movimento nacionalista que não hesitava em
recorrer a actos de terror no seu combate à presença britânica.
Quando a II Guerra terminou as autoridades britânicas
tiveram de enfrentar um novo problema: uma enorme vaga migratória que partia
dos portos do sul da Europa e que conduzia á Palestina milhares de judeus
sobreviventes do Holocausto. A encarniçada oposição britânica ao desembarque de
alguns barcos sobrelotados colocou terríveis dilemas morais às autoridades, que
rapidamente se sentiram incapazes de continuar a gerir um território mergulhado
numa guerra civil larvar que os soldados de Sua Majestade já não conseguiam
conter.
A solução do conflito passou então para as mãos das
recém-criadas Nações Unidas, de onde sairia, no final de 1947, o plano de
partição da Palestina, dividindo-a entre um estado árabe e um estado judeu. A Agência Judaica aceitou esse plano, a Liga Árabe rejeitou-o.
A 14 de Maio de 1948, um dia antes de terminar o mandato
britânico, David Ben-Gurion proclamou
“o estabelecimento de um estado judaico em Eretz-Israel,
que será conhecido como o Estado de Israel”.

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