Os Acordos de Oslo previam uma
retirada gradual de Israel da Faixa de Gaza e da Cisjordânia e a transferência
gradual da soberania para a Autoridade Palestiniana. Num prazo de cinco anos
esperava-se que as duas partes chegassem a um acordo de paz definitivo. Mas
quase nada correu como estava previsto, sendo que ambas as partes culpam a
outra pelo que correu mal.
Neste processo os palestinianos esperavam receber os seus territórios de
volta e os israelitas viverem em paz e segurança. Ora nos cinco anos que se
seguiram aos acordos o número de vítimas da violência não diminuiu: morreram
405 palestinianos e 256 israelitas, sendo que no caso dos israelitas esse valor
ultrapassou largamente o número de mortes registado nos 15 anos anteriores, que
incluíram os seis anos de primeira Intifada.
Politicamente, do lado de Israel, a evolução também não foi positiva,
pois Rabin, que havia negociado Oslo, foi assassinado por um extremista judeu
em 1995.
No final da década, sob mediação de Bill
Clinton, houve um novo esforço para se chegar a acordo. Ehud Barak, o primeiro-ministro
israelita de então, disponibilizou a Yasser
Arafat, durante uma cimeira realizada em Camp David, um acordo que muitos
viram como irrecusável. Mas Arafat recusou e, passados apenas dois meses, a
região estava de novo mergulhada na violência da segunda Intifada. A bloquear o
acordo esteve o estatuto de Jerusalém, a delicada questão da gestão do Monte do
Templo/Esplanada das Mesquitas e o tema terrivelmente difícil do “direito
de retorno”.
De então para cá pouco se tem avançado no processo de paz. Os últimos
anos de vida de Arafat (morreu em 2004) foram de profunda desconfiança entre as
duas partes. Como Ariel Sharon e Abbas houve avanços – Israel saiu
unilateralmente de Gaza, houve acordo entre ambos para terminar a segunda
Intifada – mas depois veio o conflito entre o Hamas e a Fatah, com a divisão da
zona controlada pela Autoridade Palestiniana em duas metades rivais.
Entretanto Israel construiu uma extensa barreira de protecção que os
palestinianos designam por “muro”. Na
prática foi uma medida que quase acabou com ataques suicidas no interior de
Israel.

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