A Organização de Libertação da
Palestina foi criada em 1964 por decisão da Liga Árabe. O seu objectivo era
representar os palestinianos e lutar pelo criação de um Estado árabe que
ocupasse as fronteiras da Palestina do mandato britânico. A possibilidade de
existência de um Estado judaico era explicitamente negada na sua carta de
princípios.
A clamorosa derrota dos estados árabes na guerra dos Seis Dias, em 1967,
abalou o prestígio das suas lideranças, que na época controlavam a OLP, e abriu
caminho às organizações militantes, de fedayeen,
como a Fatah de Yasser Arafat, que se tornaria presidente da organização em 1969 e
ocuparia esse lugar até morrer, em 2004.
O protagonismo da OLP cresceu com a nova liderança e num quadro de
ocupação dos territórios por Israel. Esse protagonismo desenvolveu-se ainda
mais depois da chamada batalha de Karameh,
durante a qual os combatentes da Fatah
conseguiram oferecer forte resistência a uma incursão militar israelita que
visava desarticular os grupos guerrilheiros que actuavam a partir da aldeia com
aquele nome, na Jordânia. O crescente poder e influência da OLP na Jordânia
acabaria por levar o rei Hussein a
ordenar às suas tropas beduínas que restabelecessem o controle sobre todo o
território, o que levou a combates sangrentos e à morte de milhares de
palestinianos num episódio que ficou conhecido como “Setembro Negro” (1970).
Nos seus primeiros anos várias das organizações filiadas na OLP
recorreram ao terrorismo como método de luta. Foi o tempo em que o desvio e
sequestro de aviões e mesmo de navios se tornou frequente, assim como atentados
e raptos, como o famoso sequestro da equipa israelita durante os Jogos Olímpicos de Munique, em 1972.
Expulsa da Jordânia, a OLP transferiria o centro das suas operações para
o Líbano, onde se envolveu na guerra civil que duraria quinze longos anos. A
intervenção de Israel no Líbano, em 1982, acabaria por obrigar o estado maior
da OLP a voltar a mudar-se, seguindo para Tunes, na Tunísia.
Seria nesta fase que ocorreria a mais importante evolução política e
doutrinária: em 1988, ao mesmo tempo que a OLP proclamava a independência do
Estado da Palestina, assumia pela primeira vez que essa era a terra de três
religiões monoteístas e, ao referir-se às resoluções das Nações unidas,
implicitamente reconhecia o direito à existência de Israel. Foi esta evolução que
tornou possíveis as negociações directas com Israel, que decorreram
secretamente em Oslo, na Noruega, e que em 1993 acabariam por conduzir à
assinatura de um acordo de paz que permitira iniciar o processo de
transferência de poderes de Israel para uma nova Autoridade Palestiniana com
jurisdição sobre a Faixa de Gaza e a Cisjordânia, os territórios que Israel
ocupara na sequência da guerra dos Seis Dias.
Os acordos de Oslo foram
assinados, por Arafat e pelo primeiro-ministro israelita Yitzhak Rabin. numa cerimónia na Casa Branca, sob os auspícios de
Bill Clinton, a 20 de Agosto de 1993. Alguns dias depois, a 9 de Setembro, o
líder palestiniano faria uma declaração pública a reconhecer formalmente não só
o direito à existência de Israel, mas também a viver em paz e segurança.
A soberania da Autoridade na Cisjordânia está muito condicionada pela
existência de uma rede de colonatos, por existirem vastas zonas que ainda são
geridas por Israel e por todas as dificuldades que as medidas de segurança
colocam a qualquer deslocação.
Depois de constituída a Autoridade Palestiniana a OLP, e dentro desta a sua principal facção, a Fatah, continuaram a desempenhar um papel central na vida política, um papel que o Hamas começou a contestar, sobretudo na Faixa de Gaza, processo que levou à separação desse território.
O
essencial para entender
o
conflito israelo-palestiniano
José
Manuel Fernandes
Observador – 14 de Julho de 2014


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