Sim. É mesmo a única democracia consolidada do Médio Oriente. Em Israel
há liberdade de expressão, uma grande variedade de órgãos de informação, uma
miríade de partidos políticos, um parlamento representativo e um governo que os
cidadãos podem facilmente destituir caso estejam descontentes, o que já
aconteceu inúmeras vezes. As minorias, incluindo a minoria árabe, tem direitos
políticos e também está representada no parlamento, o Knesset.
Nas primeiras décadas após a independência a política israelita foi
dominada pelos trabalhistas, mais ligados aos ashkenazi, que dispuseram de confortáveis maiorias de governo. A
partir da década de 1970 a direita do Likud,
partido mais ligado aos sefarditas, passou a ganhar regularmente as
eleições, tendo desde então havido alternância entre primeiros-ministros
trabalhistas e do Likud, tendo mais
recentemente surgido um terceiro partido centrista, o Kadima que chegou a fazer
eleger primeiros-ministros.
O sistema político está contudo muito pulverizado, pois a lei eleitoral
não favorece a concentração de votos e têm-se multiplicado os pequenos partidos
com uma base religiosa ou étnica (ligados, por exemplo, às comunidades de
origem russa) ou ainda representando interesses particulares (pensionistas,
habitantes dos colonatos). Isso torna não só muito difícil formar maiorias no Knesset, onde há 12 partidos
representados, como obriga a compromissos que tendem a paralisar a acção
política.
O
essencial para entender
o
conflito israelo-palestiniano
José
Manuel Fernandes
Observador – 14 de Julho de 2014



