Solenidade de Santa Maria, Mãe de
Deus – Ano A
1 Janeiro 2017
EVANGELHO – Lc 2,16-21
Evangelho de Nosso Senhor Jesus
Cristo segundo São Lucas
Naquele tempo,
os pastores
dirigiram-se apressadamente para Belém
e encontraram
Maria, José
e o Menino
deitado na manjedoura.
Quando O viram,
começaram a contar
o que lhes tinham
anunciado sobre aquele Menino.
E todos os que
ouviam
admiravam-se do
que os pastores diziam.
Maria conservava
todas estas palavras,
meditando-as em
seu coração.
Os pastores
regressaram, glorificando e louvando a Deus
por tudo o que
tinham ouvido e visto,
como lhes tinha
sido anunciado.
Quando se
completaram os oito dias
para o Menino ser
circuncidado,
deram-Lhe o nome
de Jesus,
indicado pelo
Anjo,
antes de ter sido
concebido no seio materno.
Bartolomé Esteban Murillo - Adoração dos Pastores
AMBIENTE
O texto do Evangelho de hoje é a continuação daquele que
foi lido na noite de Natal: após o anúncio do “anjo do Senhor”, os pastores
(destinatários desse anúncio) dirigiram-se a Belém e encontraram o menino, deitado numa manjedoura de uma gruta
de animais.
Mais uma vez, Lucas não está interessado em fazer a
reportagem do nascimento de Jesus, ou a crónica social das “visitas” que,
então, o menino de Belém recebeu;
mas está, sobretudo, interessado em apresentar uma catequese que dê a entender
(aos cristãos a quem o texto se destina) quem é esse menino e qual a missão de
que ele foi investido por Deus. Nesta catequese fica bem claro que Jesus é o
Messias libertador, enviado a trazer a paz; e há, também, uma reflexão sobre a
resposta que Deus espera do homem.
MENSAGEM
Como pano de fundo do nosso texto está, portanto, a ideia
de que, com a chegada de Jesus, atingimos o centro do tempo salvífico… Em
Jesus, a proposta libertadora que Deus tinha para nos oferecer veio ao nosso
encontro e materializou-se no meio dos homens; o próprio nome (“Jesus” significa
“Jahwéh salva”) que foi dado ao menino, por indicação do anjo que anunciou o
seu nascimento, aponta nesse sentido. Por outro lado, o facto de essa “boa
notícia” ser dada, em primeiro lugar, aos pastores (classe marginalizada,
considerada impura, pecadora e muito longe de Deus e da salvação) significa que
a proposta de Jesus se destina, de forma especial, aos pobres e marginalizados,
àqueles que a teologia oficial excluía e condenava. Diz-lhes que Deus os ama,
que conta com eles e que os convoca para fazer parte da sua família.
Definida a questão essencial, atentemos nas atitudes dos
intervenientes e na forma como eles respondem à chegada de Jesus…
Em primeiro lugar, repare-se como os pastores, depois de
escutarem a “boa nova” do nascimento do libertador, se dirigem “apressadamente”
ao encontro do menino. A palavra “apressadamente” sublinha a ânsia com que os
pobres e os marginalizados esperam a acção libertadora de Deus em seu favor.
Aqueles que vivem numa situação intolerável de sofrimento e de opressão reconhecem
Jesus como o único salvador e apressam-se a ir ao seu encontro. É d’Ele e de
mais ninguém que brota a libertação por que os oprimidos anseiam. A
disponibilidade de coração para acolher a sua proposta é a primeira coisa que
Deus pede.
Em segundo lugar, repare-se como os pastores reagem ao
encontro com Jesus… Começam por glorificar e louvar a Deus por tudo o que
tinham visto e ouvido: é a alegria pela libertação que se converte em acção de
graças ao Deus libertador. Depois, esse louvor torna-se testemunho: quem faz a
experiência do encontro com Deus libertador tem, obrigatoriamente, de dar
testemunho, a fim de que os outros homens possam participar da mesma
experiência gratificante.
Finalmente, atentemos na atitude de Maria: ela “conservava
todas estas palavras, meditando-as no seu coração”. É a atitude de quem é capaz
de abismar-se com as acções do Deus libertador, com o amor que Ele manifesta
nos seus gestos em favor dos homens. “Observar”, “conservar” e “meditar”
significa ter a sensibilidade para entender os sinais de Deus e ter a sabedoria
da fé para saber lê-los à luz do plano de Deus. É precisamente isso que faziam
os profetas.
A atitude meditativa de Maria, que interioriza e aprofunda
os acontecimentos, complementa a atitude “missionária” dos pastores, que
proclamam a acção salvadora de Deus, manifestada no nascimento de Jesus. Estas
duas atitudes definem duas coordenadas essenciais daquilo que deve ser a
existência do crente.

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