A ofensiva terrestre que Israel desencadeou contra a Faixa de Gaza na
noite de 17 para 18 de Julho tem como objectivo principal destruir uma
infraestrutura de túneis com a qual o Hamas e outras organizações estavam a
tentar infiltrar o território de Israel.
A Faixa de Gaza está limitada por uma vedação que é permanentemente
vigiada pelo exército israelita, existindo apenas alguns, poucos, pontos de
passagem e fronteira. Desde que se retirou completamente de Gaza em 2005, e
abandonou os colonatos aí existentes, entregando a administração integral do
território à Autoridade Palestiniana, que Israel enfrenta ataques vindos de
Gaza. Os mais frequentes são os lançamentos de rockets, cujo alcance tem vindo
a aumentar, e as tentativas de infiltração de militantes radicais capazes de
desencadear acções no interior de Israel.
A forma escolhida pelo Hamas e pelas outras organizações radicais que
operam em Gaza para realizar essas operações de infiltração tem sido a
construção de túneis que passam por baixo da barreira de separação e terminam
já bem dentro do território de Israel. A ameaça é real e, na passada
terça-feira, o exército localizou e neutralizou um comando constituído por 13
militares do Hamas que já estava dentro de Israel, a apenas 10 minutos de
marcha de uma comunidade agrícola localizada no sul do país, o Kibbutz Sufa.
Esse comando tinha saído de um dos túneis construídos sob a barreira.
O exército israelita, IDF, divulgou entretanto imagens dessa operação:
A construção de túneis é habitual na Faixa de Gaza: no sul do território
existem mais de 1200 dessas infraestruturas ligando Gaza ao Egipto,
infraestruturas essas que têm sido usadas para todo o tipo de contrabando e
também para levar para Gaza as armas que, depois, são disparadas contra Israel.
Neutralizar a estrutura de túneis, que a maior parte das vezes têm as
suas entradas no interior de habitações, não pode ser feito a partir do ar, com
ataques da aviação. E se Israel já desenvolveu a tecnologia que lhe torna
possível defender-se das barragens de rockets – a “Cúpula de Ferro”, que
localiza e abate no ar a maioria dos rockets disparados a partir da Faixa de
Gaza –, o país não tem forma de localizar e neutralizar a infraestrutura de
túneis.
De acordo com fontes militares citadas pelo Times de Israel, a missão das unidades que estão a ser enviadas para o interior da
Faixa de Gaza é localizar as entradas desses túneis e neutralizá-los. Ao mesmo
tempo os soldados que estão no terreno têm ainda como objectivo arrasar as
rampas de lançamento de mísseis e rockets que, por estarem muito protegidas,
não podem ser destruídas do ar. Trata-se de operações de alto risco, em que
muitas vezes é necessário enfrentar militares do Hamas em combates casa a casa.
Ainda de acordo com as mesmas fontes, Israel não pretende reocupar Gaza
ou estabelecer aí qualquer testa de ponte militar, antes pretende desarticular
as infraestruturas que o Hamas e outros grupos radicais que operam naquele
território têm construído nos últimos anos. Refira-se que, durante o período em
que os seus aliados da Irmandade Muçulmana estiveram no poder no Cairo, o Hamas
logrou reforçar o seu poderio militar, situação que se inverteu desde que o
general Sissi tomou o poder: neste momento o exército egípcio voltou a fechar a
rede de túneis entre Gaza e o Sinai, por onde passava muito do armamento
destinado ao Hamas.
O Cairo anunciou mesmo o fecho do impressionante número de 1370 túneis.
Israel anunciou que não tem data prevista para o fim desta operação
militar.
O
essencial para entender
o
conflito israelo-palestiniano
José
Manuel Fernandes
Observador – 14 de Julho de 2014
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