Nos últimos anos o exército israelita tem intervindo com alguma
regularidade na Faixa de Gaza para conter o contínuo rearmamento do Hamas e da
Jihad islâmica e outros grupos radicais. O contrabando de armas através da
fronteira de Gaza, em especial através de túneis que os egípcios não conseguem
controlar, nunca cessou verdadeiramente. É aliás voz corrente que, nos
dias de governo da Irmandade Muçulmana no Cairo, a situação foi muito favorável
ao Hamas e seu rearmamento.
A última dessas operações decorreu entre 14 e 21 de Novembro de 2012 e
terminou com um acordo de cessar-fogo mediado pelo governo do Cairo.
No último mês o número de mísseis sobre Israel vinha em crescendo.
Porém, a actual crise começou com o rapto de três jovens israelitas na
Cisjordânia a 12 de Junho. Os seus corpos mutilados seriam descobertos a 1 de
Julho, existindo a convicção de que o rapto e assassinato foi perpetrado por
uma facção ligada ao Hamas. Os responsáveis ainda não foram descobertos.
No dia seguinte, 2 de Julho, é a vez de um jovem palestiniano ser
raptado e morto em circunstâncias horríveis (foi queimado vivo). Rapidamente se
descobriu que o crime fora obra de um grupo de seis jovens extremistas
israelitas (entre os 16 e os 22 anos), que foram detidos pelas autoridades.
De imediato o Hamas disparou mais de 100 mísseis contra território
de Israel. Alguns desses mísseis são já bastante sofisticados, tendo caído a
160 quilómetros a norte da fronteira, já perto de Haifa.
Como resposta a este ataque vindo da Faixa de Gaza, Israel lança nova
operação contra aquele território visando as infraestruturas que suportam o
disparo de rockets e mísseis – desde o início do mês e até ao dia 13 de Julho
já foram disparadas contra o território de Israel mais de 800 desses
projécteis, que caem indiscriminadamente em zona habitacionais, em terrenos
agrícolas ou em instalações industriais.
A operação israelita, designada “Escudo
protector”, mobilizou já 40 mil reservistas e, segundo o primeiro-ministro
Benjamin Netanyahu, durará o tempo que for necessário.
O
essencial para entender
o
conflito israelo-palestiniano
José
Manuel Fernandes
Observador – 14 de Julho de 2014

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