A maioria dos colonatos
começaram a ser instalados depois da guerra dos Seis Dias, em 1967, quando
Israel ocupou a Faixa de Gaza e a Cisjordânia. Os primeiros foram logo
instalados nesse ano pelo governo trabalhista como parte de uma política de
colonização.
A maioria dos colonatos foi
construída na Cisjordânia e em Jerusalém Oriental. Os colonatos construídos no Sinai foram desmantelados em 1997, após o
acordo de paz com o Egipto, e os da Faixa de Gaza foram abandonados em 2005,
depois de Israel ter decidido unilateralmente retirar por completo desse pedaço
do território.
Os colonatos são de diferente
tipo. Alguns, sobretudo na área de Jerusalém, são colonatos urbanos, zonas de subúrbio habitacional. Os outros são
sobretudo colonatos agrícolas ou
aquilo que se designa por aldeias de fronteira, estando nesta categoria alguns
dos que foram construídos no vale do Jordão.
Apesar de, logo em 1967, uma parte da migração ter sido justificada com
o regresso dos judeus a locais que tinham ocupado antes da guerra da
independência, a maior parte dos colonatos
são novas instalações.
A expansão dos colonatos na
Cisjordânia retalhou este território, tornando difíceis as deslocações
sobretudo desde que os israelitas construíram vedações e muros de separação.
Qualquer perspectiva de resolução para aquela região implica que se
encontre que se encontre uma solução para os colonatos. Talvez seja possível, relativamente aos que se situam
mais próximo da chamada “linha verde”
– a linha do armistício no final da guerra da independência, em 1948 – redesenhar
a fronteira, trocando terras, isto é, entregando Israel aos palestinianos
terras situadas do lado judeu dessa “linha
verde”. Esse cenário já foi trabalhado e negociado entre as parte, mas
nunca se chegou a propostas viáveis. Mesmo assim Israel terá sempre de
abandonar a maioria dos colonatos, e
alguns são muito populosos, ao contrário do que sucedia no Sinai e na Faixa de
Gaza.
Há também dificuldades políticas. Alguns dos partidos israelitas sem os
quais não se consegue formar uma maioria de governo defendem a ideia de que a
Cisjordânia – as terras bíblicas da Judeia e Samaria – são parte inalienável de
Eretz-Israel, e por isso nunca deverão ser cedidas aos palestinianos. Os
colonos também têm um partido político com representação parlamentar e são
politicamente muito activos.
Em contrapartida Israel está totalmente isolado na sua política face aos
colonatos. Já foi condenado duas
vezes nas Nações Unidas e nem os seus aliados ocidentais apoiam a expansão
desta forma de ocupação apesar de o lançamento de novas construções nunca ter
verdadeiramente parado.
O
essencial para entender
o
conflito israelo-palestiniano
José
Manuel Fernandes
Observador – 14 de Julho de 2014

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