O princípio das negociações de Oslo que levaram ao histórico acordo
israelo-palestiniano de 1993 foi o da troca de terra por paz: Israel devolvia à
Autoridade Palestiniana, de forma progressiva, a soberania sobre Gaza e a
Cisjordânia em troca do reconhecimento da sua existência. A prazo deveria
nascer nos territórios entregues à Autoridade Palaestiniana um novo Estado que
pudesse viver em paz com Israel.
Este plano sempre contou com ferozes opositores dos dois lados do
conflito. Em Israel opuseram-se-lhe quer os que defendem um Grande Israel, e
por isso não abdicam de uma fronteira que passe pelo vale do Jordão, quer os
que receiam, por questões de segurança, a vizinhança de um Estado palestiniano
com soberania plena.
Do lado palestiniano opõem-se-lhe todos os que continuam a não
reconhecer o direito à existência do Estado de Israel. É essa a posição
tradicional do Hamas, por exemplo.
De acordo com sondagens realizadas tanto em Israel como nos territórios
é esta a solução desejada pela maioria tanto de israelitas como de
palestinianos.
A solução de um único
Estado parece inviável. Uma fusão pacífica que juntasse todos os que vivem no
antigo espaço da Palestina do mandato britânico criaria um Estado de maioria
árabe e representaria o fim da ideia de um Estado judeu, e é duvidoso, para não
dizer altamente improvável, que pudesse funcionar em paz e democracia. A
alternativa – um Estado judeu do Mediterrâneo ao Jordão – implicaria, para ter
viabilidade, a expulsão de centenas de milhar de palestinianos ou a sua
manutenção como cidadãos de segunda, sem direitos políticos, o que ninguém na
comunidade internacional aceitaria.
O
essencial para entender
o
conflito israelo-palestiniano
José
Manuel Fernandes
Observador – 14 de Julho de 2014

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