quarta-feira, 12 de outubro de 2016

O Santuário da Anunciação e o culto mariano



No coração de peregrinos e viajantes, Nazaré é a “Flor da Galiléia”, que preserva a memória do diálogo entre o arcanjo Gabriel e a Virgem Maria.



Observando a cidade de Nazaré do alto, surge a cúpula da Basílica da Anunciação como uma construção elegante sobre os outros edifícios. A basílica projetada pelo arquiteto italiano Giovanni Muzio, foi construída graças ao trabalho de pedreiros cristãos e muçulmanos de Nazaré. No final da Primeira Guerra Mundial, a Custódia franciscana da Terra Santa, manifestou ao papa Pio IX, o desejo de construir um santuário mais digno, no lugar da Anunciação. Vários anos mais tarde, em 1954, se apresentou a oportuna ocasião com o primeiro centenário da proclamação do dogma da Imaculada Conceição. Para celebrar este aniversário o Custódio franciscano,Giacinto Faccio, decidiu iniciar a construção. O trabalho foi concluido em 23 de março de 1969. A basílica atinge 55 metros de altura, com uma planta de 65x27 metros, e seu tamanho ganhou a reputação de ser o maior monumento cristão no Oriente Médio. A entrada para a basílica inferior é impressionante, e convida à oração. O espaço foi concebido para dar destaque à Gruta e vestígios arqueológicos que a tradição atribui ao local da Anunciação, da Encarnação do Salvador. A centralidade da gruta permite que os visitantes abracem com um único olhar todo o ambiente.

Hoje a Doutrina Mariana é principalmente baseada na “Lumen Gentium”, que apresenta Maria como “Mãe do Salvador” inserida no mistério de Cristo, na Igreja e para a salvação universal. Depois do Concílio Vaticano II, o Papa Paulo VI publicou a Exortação Apostólica “Marialis Cultus” para a ordenação e desenvolvimento do culto à Virgem. São João Paulo II, foi um apaixonado pela figura da Virgem, que ele escolheu como lema apostólico “Totus tuus” e consagrou o seu mandato a Maria. Suas mais famosas reflexões marianas estão contidas na encíclica “Redemptoris Mater”, ao passo que na Carta Apostólica “Rosarium Virginis Mariae” em 2003 reviveu a prática do Rosário, enriquecendo o com os “mistérios da luz”. A oração do Rosário é uma das práticas devocionais mais populares. Através desta prática, os fiéis podem compreender e meditar sobre os momentos significativos da vida de Cristo e da Virgem. A oração do Rosário possivelmente teve origem nos mosteiros irlandeses do sec IX., mas a propagação ocorreu nos tempos modernos, graças ao trabalho dos padres dominicanos. Segundo a tradição, a Igreja católica recebeu o Rosário em sua forma atual em 1206 quando a Virgem Maria apareceu a São Domingos Gusmão e o entregou como uma arma poderosa para a conversão dos hereges e outros pecadores daquele tempo. O reconhecimento do Rosário como uma oração da Igreja é o resultado da proclamação do dogma da Imaculada Conceição de Maria. Desde então os papas sempre solicitaram a oração do Rosário em ocasiões importantes na história da Igreja. Hoje os fiéis podem fazer uma peregrinação mística através dos mistérios (Gozosos, Dolorosos, Gloriosos, Luminosos) para contemplar o rosto de Jesus Cristo, verdadeiro Deus e verdadeiro homem. Este foi um tema persistente no Pontificado do Papa João Paulo II, claramente expresso na Encíclica “Novo Millennio Ineunte” (2001). Pela recitação do Rosário, muitos cristãos têm respondido ao apelo interior para expressar uma oração contemplativa, capaz de levar o coração a comunhão com o Senhor com simplicidade e pureza: “Rezar o Rosário, na verdade, nada mais é do que contemplar com Maria o rosto de Cristo” (João Paulo II, Rosarium Virginis Mariae).


(In, www.terrasanta.net)

Sem comentários:

Enviar um comentário