JERUSALÉM – Entre um enorme rol de lugares geográficos e
no meio de um mapa desenhado pela Bíblia, está uma cidade que se tornou o
centro do mundo; Jerusalém. Se o nome da cidade, três vezes santa, é tema de
muitas investigações, artigos, de polémicas, na verdade, o que diz dela a
Bíblia?
Yerushalaïm no
Antigo Testamento
Citada 660 vezes no Antigo Testamento, é mencionada pela
primeira vez em Josué, no capítulo 10 “Adonisédec,
rei de Jerusalém, soube que Josué tinha conquistado Haï”.
Antes de Josué, o livro de Génesis faz alusão a Jerusalém,
chamada Salem ”Melquisedec, rei de Salem,
trouxe pão e vinho” (Gen. 14.18). Assim, desde o primeiro Livro, Jerusalém
ou Salem tem lugar no rol dos lugares geográficos.
A cidade é muito rica em nomes, sobrenomes, metáforas ao
longo dos Livros do Antigo Testamento: Monte Sião, Trono de David, Cidade dos
jebuseus, Jebus, Fortaleza de Sião, etc… É no segundo Livro de David, no
capítulo 5, que David se instala na Fortaleza e lhe dá o nome de “Cidade de
David”. É então que a cidade toma uma outra dimensão, ganhando em importância e
poder.
Sem ter de passar em revista a totalidade das 660 menções
no Antigo Testamento, este importante número, por si só, torna a cidade um
elemento essencial e faz dela o lugar central, uma verdadeira personagem com as
suas fraquezas (Isaías 1; 21 “E como! Ela
prostituiu-se, a cidade fiel!”) e os seus encantos. (Salmo 136 “Se te esquecer, Jerusalém, que a minha mão
direita me esqueça! Quero que a minha língua se cole ao palato se eu deixar de
ter a tua lembrança, se eu não levar Jerusalém ao cume da minha alegria”.
Evocam-na como um ser humano tratando-a por tu “Oh! Jerusalém, sobre os teus muros pus
guardas.” (Isaías 62). É uma cidade incarnada, viva, humana, santa, que se
tornará no lugar Maior da cristandade.
Jerusalém no
Novo Testamento
As primeiras menções estão ligadas ao nascimento de Jesus:
primeiro em Mateus, capítulo 2, quando o rei Herodes fica Perturbado e “toda
Jerusalém com ele”. Em seguida Lucas faz uma primeira alusão a
Jerusalém, quando da aparição do Anjo faz a Zacarias, no Templo (Lc. Capítulo
1, 5). A palavra Jerusalém não aparece, mas o Sacerdote vai oferecer incenso ao
Templo. Ora este Templo é em Jerusalém. Lucas precisa mesmo o momento “No tempo do rei Herodes” e mais adiante,
capítulo 2 verseto 22 “Quando terminou o
tempo prescrito pela lei de Moisés para a Purificação, os pais de Jesus
levaram-no a Jerusalém para o apresentarem ao Senhor” e desta vez nenhuma
alusão.
É em seguida, quando Jesus, com doze anos, é encontrado no
Templo pelos seus pais que que Lucas menciona de novo Jerusalém: “No fim da festa, quando regressavam, Jesus
ficou em Jerusalém, sem que seus pais percebessem.” (Lucas 2:43). É aliás
Lucas, que dos quatro Evangelistas, mais menções faz a esta cidade.
Jerusalém tem um lugar central, simbolizando a relação
entre Deus e o seu povo. É a cidade que faz Jesus chorar (Lucas, capítulo 19),
ela conhece a cólera de Cristo quando este expulsa os vendilhões do Templo
depois da sua entrada para a Procissão dos Ramos.
Marcos faz referência a Jerusalém quando da narração da
Paixão: a Última Ceia, a prisão, Jesus frente a Pôncio Pilatos, depois a
Crucificação e a Morte de Jesus na Cruz. A primeira aparição depois da
Ressurreição tem também lugar em Jerusalém.
As 146 menções são, muitas vezes, metáfora: Jesus em
Mateus faz referência: “… nem por
Jerusalém porque ela é a cidade do grande Rei” As referências a Sião fazem
a ligação com o Antigo Testamento.
É João quem evoca as visitas de Cristo a Jerusalém para a
festa dos Tabernáculos (cap. 7): “Estava-se
já a meio da semana da festa, quando Jesus subiu ao Templo, e aí ensinava”.
Quando cura um paralítico em Betesda (cap. 5) “Depois houve uma festa dos judeus e Jesus subiu a Jerusalém. Então em
Jerusalém, perto da Porta das Ovelhas há uma piscina chamada em Hebreu Betesda.
Tem cinco alpendres” e a um cego na piscina de Siloé “Vai, lava-te na piscina de Siloé”.
Depois, nos “Actos dos Apóstolos” Jerusalém é o princípio
de tudo: cidade testemunha da Ascensão de Cristo ao Céu, da descida do Espírito
Santo sobre os Apóstolos, dos primeiros anúncios da Boa Nova, do martírio de
Santo Estevão.
Jerusalém, para os primeiros cristãos, está no centro.
Por fim, a referência à Cidade Eterna transforma-se em
referência a Jerusalém Celeste, aquela que todos os Cristãos tardam a esperar,
a que é o verdadeiro lugar de Deus como nos ensinam as Epístolas. A Bíblia abre
com uma descrição do Jardim do Eden e termina com a esperança de Jerusalém
Celeste. No meio, a cidade é o local de oração das três religiões abraâmicas e
local de todas as paixões. Foi lá que tudo começou com o envio dos Apóstolos
para correrem o mundo e é aqui que cada um procura voltar.
Eva Maurer Morio
(In, www.pt.lpj.org)

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