segunda-feira, 31 de outubro de 2016

Nossa Senhora, Rainha da Palestina, “filha ilustre” desta terra

Outubro, na Terra Santa, é o mês de uma devoção particular à Virgem Maria.



Em Deir Rafat, a 30 km de Jerusalém, cristãos lotaram a área externa do santuário, para a festa de “Nossa Senhora, Rainha da Palestina”. A santa missa foi presidida pelo administrador Apostólico do patriarcado latino de Jerusalem, Mons. Pierbattista Pizzaballa. S.E. Mons. PIERBATTISTA PIZZABALLA, ofm Administrador Apostólico - Patriarcado Latino de Jerusalém “Maria, a Rainha da Palestina é a patrona da nossa diocese e da nossa comunidade cristã. Portanto é belo nos encontrarmos aqui como comunidade cristã, debaixo do manto da Mãe, para que ela nos dê a paz, dê serenidade às nossas famílias, e tudo o que precisamos. E é também um dia de festa porque nos encontramos como comunidade, e quando se faz comunidade se faz festa”. O santuário dedicado à Rainha da Palestina foi construído em 1928 pelo então patriarca latino de Jerusalém, Dom Luigi Barlassina, que escolheu Deir Rafat por ser uma localidade de antiga tradição bíblica. O território fica na área da antiga filisteia, cenário dos feitos mais populares do personagem bíblico Sansão. O titulo de “Rainha da Palestina” e a festa surgiram após a primeira Guerra Mundial, contexto em que a Palestina se encontrava fragilizada e dividia. A estátua de bronze de dois metros e meio, que fica acima da igreja, é um sinal da proteção da Virgem Mãe, que, do alto, vela por todos os seus filhos. A festa que teve inicio na década de 20 tem se tornado mais popular a cada ano. Fiéis de várias partes da terra Santa se encontram aqui, para pedir a proteção da filha mais ilustre desta terra. Ao final da missa, sacerdotes e fieis foram em procissão com a imagem de Nossa Senhora, Rainha da Palestina, ate a igreja do do santuário. Uma expressão de carinho e devoção para pedir que a rainha desta terra os acompanhe em cada passo."


Cristo ressuscitou verdadeiramente. Tu, rei vitorioso, tem piedade de nós!



Ainda "O Santo Sepulcro revelado"



Quarta-feira, 26 de Outubro, no ar percebia-se uma expectativa febril. Desde 14 de Outubro, era coisa sabida que, naquele dia e no seguinte, a Edícula na Basílica do Santo Sepulcro seria fechada para trabalhos; apenas se sabia que as Autoridades das Igrejas, que custodiam o Lugar Santo, tinham sido convidadas para assistir à abertura do sepulcro de Cristo.

A Edícula é composta por duas partes: a capela do anjo, no centro do qual se encontra um pequeno altar-relicário com pedra que fechava o túmulo  e o sepulcro com uma chapa de mármore que cobre o lugar sob o qual se acham os restos do leito fúnebre de Jesus.

Os convidados visitaram o lugar. Primeiramente, o Patriarca ortodoxo Théophilos III, acompanhado por pequena delegação de religiosos e cientistas. Representando o Padre Custódio, fora do país, Fr. Dobromir Jasztal, Vicário da Custódia, Fr. David Grenier, Secretário da Terra Santa, outros três Frades, entre os quais Fr. Eugênio Alliata, Arqueólogo do Studium Biblicum Franciscanum e, ainda pela Custódia, o Arquiteto Osama Hamdam, membro da Comissão científica do projecto. Pequena delegação de Armênios, guiada pelo Bispo Sévan, e de coptas do Santo Sepulcro.

O acontecimento era importante para todos: pela primeira vez, desde 1810, essa chapa foi deslocada. A vez anterior foi em 1555, sob a direcção do Custódio Fr. Bonifácio de Ragusa, quando também ele foi autorizado a fazer trabalhos na Edícula, porque, na época, como hoje, percebiam-se sinais de desgaste, causados pelo tempo.


O acesso à Edícula foi fechado às 14h, mas a abertura para as Autoridades havia sido prevista para às 18h, horário do Santo Sepulcro (19h, horário de verão, pois na Basílica não há mudança de horário entre inverno e verão).

O evento foi realizado com portas fechadas sob a objectiva de muitas máquinas fotográficas e vídeo-câmaras da famosíssima National Geographic, que cobria, em exclusividade, o evento. Isso explica a falta de fotos (por enquanto...). Na expressão do rosto das pessoas presentes podia-se ler a curiosidade e emocionante expectativa.

No túmulo, os operários estavam activos. Durante a tarde, trabalharam para deslocar a chapa de mármore. Era preciso apenas deslocá-la horizontalmente uns 20cm.

A Professora Antônia Moropoulo, Directora do Projecto de Restauração, acolheu na Capela do Anjo, o patriarca grego Théophilos, Fr. Dobromir Jazstal e Mons. Sévan. Usando capacetes, foi-lhes explicado o que hão de ver: … areia! De facto, trata-se de terra, colocada para impedir que a chapa de mármore se rompa, caso fosse feita sobre ela pressão forte.

Um depois do outro, os dignitários entram no Túmulo e saem comovidos, apesar de não ter visto nada do leito fúnebre de Jesus. Sabem, porém, que haviam participado de momento histórico e é evidente: o Lugar Santo, neste dia mais que jamais, exerce seu forte poder de atracção e emoção.

No dia seguinte, todos (ou quase) voltaram por conta própria. De noite, os operários retiraram a areia para os cientistas fazerem as suas observações. Quinta-feira, 27, de manhã, a National Geographic publicou o vídeo das imagens feitas no dia anterior.



No pátio do Convento de S. Salvador, alguns Frades decidiram dirigir-se ao Túmulo, partilhando, depois, suas impressões. Outros tentaram a sorte na quinta-feira e, de fato, alguns entraram e puderam ver. E desta vez havia apenas areia! A chapa de mármore tinha sido recolocada quase completamente. A areia foi tirada e apareceu outra chapa de mármore cinza, quebrada. É comprida como aquela que a cobre, mas tem apenas metade de largura; e parece ter sido rebentada. Supõe-se que poderia tratar-se da chapa colocada pelos Cruzados. Não há certeza, porém. É tarefa dos cientistas tirar as conclusões, depois de ter feito os exames.

Lá onde o mármore cinza falta, aparece a rocha. É a rocha original, o leito fúnebre de Jesus, cortado na própria pedra de Jerusalém. Na pedra vêem-se canais escavados para escorrimento de líquido, dizem uns, já outros falam de ritual bizantino, que consiste em santificar o óleo. O modo como é cortada a pedra poderia dar aos especialistas a orientação, em que o corpo de Jesus foi depositado. A cabeça dirigida ao Ocidente ou ao Oriente?

Mas o que todos constatam é que a pedra sobre a qual repousou o corpo de Jesus é totalmente comum, enquanto o momento para os que olham é absolutamente extraordinário. Todos estão transtornados. Diante da Edícula, trocam impressões. Verificam, com as pessoas ao seu lado, se viram a mesma coisa ou seria preciso rever. Contudo, na face de cada pessoa, seja de qual idade for, pode-se ler intensa emoção. dos olhos escorriam lágrimas. Essas fazem pensar na sequência pascal: «Victimæ paschali laudes», Dic nobis Maria, quid vidisti in via? Sepulcrum Christi viventis, et gloriam vidi resurgentis: Diz-nos, Maria, o que viste no caminho? Vi o túmulo do Cristo vivente e a glória de sua ressurreição.



As consignações são severas: proibição de publicar ou entregar para ser publicadas fotos feitas, seja com qualquer tipo de aparelho. Uma regra que os franciscanos respeitam, mas não é proibido contar a emoção de quem as viu. Algumas mensagens publicadas nas redes sociais não enganam.
Horas depois, quem pôde entrar e ver, como se tivesse respondido ao convite dos anjos no dia da Páscoa (Mt 28, 6), está ainda vivamente impressionado, marcado, e bendiz o Senhor por ter vivido um dia extraordinário.

Viram com seus olhos onde foi colocado e repousou o corpo do Senhor. Tinha-lhes sido dito que era ali. Ma. Foi-lhes oferecido ver com seus olhos, tal como a Tomé tinha visto o lado aberto de Jesus.

Os que foram tocados, saíram dali com um grito de alegria: Scimus Christum surrexisse a mortuis vere. Tu nobis, victor Rex, miserere. Sim, estamos certos disso: Cristo ressuscitou verdadeiramente. Tu, rei vitorioso, tem piedade de nós!

Era o dia 26, 27 e 28 de Outubro do ano da 2016.

(in, www.custodia.org)

Vi o túmulo de Cristo vivente

domingo, 30 de outubro de 2016

«...Eu hoje devo ficar em tua casa»

31º Domingo do Tempo Comum – Ano C
30 Outubro 2016



EVANGELHO – Lc 19,1-10

Evangelho de Nosso Senhor Jesus Cristo segundo São Lucas

Naquele tempo,
Jesus entrou em Jericó e começou a atravessar a cidade.
Vivia ali um homem rico chamado Zaqueu,
que era chefe de publicanos.
Procurava ver quem era Jesus,
mas, devido à multidão, não podia vê-l’O,
porque era de pequena estatura.
Então correu mais à frente e subiu a um sicómoro,
para ver Jesus, que havia de passar por ali.
Quando Jesus chegou ao local,
olhou para cima e disse-lhe:
«Zaqueu, desce depressa,
que Eu hoje devo ficar em tua casa».
Ele desceu rapidamente e recebeu Jesus com alegria.
Ao verem isto, todos murmuravam, dizendo:
«Foi hospedar-Se em cada dum pecador».
Entretanto, Zaqueu apresentou-se ao Senhor, dizendo:
«Senhor, vou dar aos pobres metade dos meus bens
e, se causei qualquer prejuízo a alguém,
restituirei quatro vezes mais».
Disse-lhe Jesus:
«Hoje entrou a salvação nesta casa,
porque Zaqueu também é filho de Abraão.
Com efeito, o Filho do homem veio procurar e salvar
o que estava perdido».


AMBIENTE
O episódio de hoje coloca-nos em Jericó, o oásis situado nas margens do mar Morto, a cerca de 34 quilómetros de Jerusalém. Era a última etapa dos peregrinos que, da Pereia e da Galileia, se dirigiam a Jerusalém para celebrar as grandes festividades do culto judaico (o que indica que o “caminho de Jerusalém”, que temos vindo a percorrer sob a condução de Lucas, está a chegar ao fim).

No tempo de Jesus, é uma cidade próspera (sobretudo devido à produção de bálsamo), dotada de grandes e belos jardins e palácios (por acção de Herodes, o Grande, que fez de Jericó a sua residência de inverno). Situada num lugar privilegiado de uma importante rota comercial, era um lugar de oportunidades, que devia proporcionar negócios chorudos (e também várias possibilidades de negócios “duvidosos”).

O personagem que se defronta com Jesus é, mais uma vez, um publicano (neste caso, um “chefe dos publicanos”). O nosso herói é, portanto, um homem que o judaísmo oficial considerava um pecador público, um explorador dos pobres, um colaboracionista ao serviço dos opressores romanos e, portanto, um excluído da comunidade da salvação.

MENSAGEM
Voltamos aqui a um dos temas predilectos de Lucas: Jesus é o Deus que veio ao encontro dos homens e Se fez pessoa para trazer, em gestos concretos, a libertação a todos os homens – nomeadamente aos marginalizados e excluídos, colocados pela doutrina oficial à margem da salvação.

Zaqueu (é o nome do publicano em causa) era, naturalmente, um homem que colaborava com os opressores romanos e que se servia do seu cargo para enriquecer de forma imoral (exigindo impostos muito acima do que tinha sido fixado pelos romanos e guardando para si a diferença, como aliás era prática corrente entre os publicanos). Era, portanto, um pecador público sem hipóteses de perdão, excluído do convívio com as pessoas decentes e sérias. Era um marginal, considerado amaldiçoado por Deus e desprezado pelos homens. A referência à sua “pequena estatura” – mais do que uma indicação de carácter físico – pode significar a sua pequenez e insignificância, do ponto de vista moral.

Este homem procurava “ver” Jesus. O “ver” indica aqui, provavelmente, mais do que curiosidade: indica uma procura intensa, uma vontade firme de encontro com algo novo, uma ânsia de descobrir o “Reino”, um desejo de fazer parte dessa comunidade de salvação que Jesus anunciava. No entanto, o “mestre” devia parecer-lhe distante e inacessível, rodeado desses “puros” e “santos” que desprezavam os marginais como Zaqueu. O subir “a um sicómoro” indica a intensidade do desejo de encontro com Jesus, que é muito mais forte do que o medo do ridículo ou das vaias da multidão.

Como é que Jesus vai lidar com este excluído, que sente um desejo intenso de conhecer a salvação que Deus oferece e que espreita Jesus do meio dos ramos de um sicómoro? Jesus começa por provocar o encontro; depois, sugere a Zaqueu que está interessado em entrar em comunhão com Ele, em estabelecer com Ele laços de familiaridade (“quando Jesus chegou ao local, olhou para cima e disse-lhe: «Zaqueu, desce depressa, que Eu hoje devo ficar em tua casa»”). Atente-se neste quadro “escandaloso”: Jesus, rodeado pelos “puros” que escutam atentamente a sua Palavra, deixa todos especados no meio da rua para estabelecer contacto com um marginal e para entrar na sua casa. É a exemplificação prática do “deixar as noventa e nove ovelhas para ir à procura da que estava perdida”… Aqui torna-se patente a fragilidade do coração de Deus que, diante de um pecador que busca a salvação, deixa tudo para ir ao seu encontro.

Como é que a multidão que rodeia Jesus reage a isto? Manifestando, naturalmente, a sua desaprovação às atitudes incompreensíveis de Jesus (“ao verem isto, todos murmuravam, dizendo: «foi hospedar-se em casa de um pecador»”). É a atitude de quem se considera “justo” e despreza os outros, de quem está instalado nas suas certezas, de quem está convencido de que a lógica de Deus é uma lógica de castigo, de marginalização, de exclusão. No entanto, Jesus demonstra-lhes que a lógica de Deus é diferente da lógica dos homens e que a oferta de salvação que Deus faz não exclui nem marginaliza ninguém.

Como é que tudo termina? Termina com um banquete (onde está Zaqueu, o chefe dos publicanos) que simboliza o “banquete do Reino”. Ao aceitar sentar-Se à mesa com Zaqueu, Jesus mostra que os pecadores têm lugar no “banquete do Reino”; diz-lhes, também, que Deus os ama, que aceita sentar-Se à mesa com eles – isto é, quer integrá-los na sua família e estabelecer com eles laços de comunhão e de amor. Jesus mostra, dessa forma, que Deus não exclui nem marginaliza nenhum dos seus filhos – mesmo os pecadores – mas a todos oferece a salvação.

E como é que Zaqueu reage a essa oferta de salvação que Deus lhe faz? Acolhendo o dom de Deus e convertendo-se ao amor. A repartição dos bens pelos pobres e a restituição de tudo o que foi roubado em quádruplo, vai muito além daquilo que a lei judaica exigia (cf. Ex 22,3.6; Lev 5,21-24; Nm 5,6-7) e é sinal da transformação do coração de Zaqueu… Repare-se, no entanto, que Zaqueu só se resolveu a ser generoso após o encontro com Jesus e após ter feito a experiência do amor de Deus. O amor de Deus não se derramou sobre Zaqueu depois de ele ter mudado de vida; mas foi o amor de Deus – que Zaqueu experimentou quando ainda era pecador – que provocou a conversão e que converteu o egoísmo em generosidade. Prova-se, assim, que só a lógica do amor pode transformar o mundo e os corações dos homens.


(In, www.dehonianos.pt)

quinta-feira, 27 de outubro de 2016

Gente da Terra Santa - Bartolomeu

Bartolomeu



Nos antigos elencos dos Doze, Bartolomeu, ele é sempre colocado antes de Mateus, enquanto varia o nome daquele que o precede e que pode ser Filipe (cf. Mt 10, 3; Mc 3, 18; Lc 6, 14) ou Tomé (cf. Act 1, 13). O seu nome é claramente um patronímico, porque é formulado com uma referência explícita ao nome do pai. De facto, trata-se de um nome provavelmente com uma marca aramaica, Bar Talmay, que significa precisamente "filho de Talmay".

Não temos notícias de relevo acerca de Bartolomeu; com efeito, o seu nome recorre sempre e apenas no âmbito dos elencos dos Doze acima citados e, por conseguinte, nunca está no centro de narração alguma. Mas, tradicionalmente ele é identificado com Natanael: um nome que significa "Deus deu". Este Natanael provinha de Caná (cf. Jo 21, 2), e portanto é possível que tenha sido testemunha do grande "sinal" realizado por Jesus naquele lugar (cf. Jo 2, 1-11). 

A identificação das duas personagens provavelmente é motivada pelo facto que este Natanael, no episódio de vocação narrada pelo Evangelho de João, é colocado ao lado de Filipe, isto é, no lugar que Bartolomeu ocupa nos elencos dos Apóstolos narrados pelos outros Evangelhos. Filipe tinha comunicado a este Natanael que encontrara "aquele sobre quem escreveram Moisés, na Lei, e os profetas:  Jesus, filho de José de Nazaré" (Jo 1, 45). Como sabemos, Natanael atribuiu-lhe um preconceito bastante pesado:  "De Nazaré pode vir alguma coisa boa?" (Jo 1, 46a). Esta espécie de contestação é, à sua maneira, importante para nós. De facto, ela mostra-nos que segundo as expectativas judaicas, o Messias não podia provir de uma aldeia tanto obscura como era precisamente Nazaré (veja também Jo 7, 42). Mas, ao mesmo tempo realça a liberdade de Deus, que surpreende as nossas expectativas fazendo-se encontrar precisamente onde não o esperávamos. Por outro lado, sabemos que Jesus na realidade não era exclusivamente "de Nazaré", pois tinha nascido em Belém (cf. Mt 2, 1; Lc 2, 4) e que por fim provinha do céu, do Pai que está no céu.

Outra reflexão sugere-nos a vicissitude de Natanael: na nossa relação com Jesus não devemos contentar-nos unicamente com as palavras. Filipe, na sua resposta, faz um convite significativo: "Vem e verás!" (Jo 1, 46b). O nosso conhecimento de Jesus precisa sobretudo de uma experiência viva: o testemunho de outrem é certamente importante, porque normalmente toda a nossa vida cristã começa com o anúncio que chega até nós por obra de uma ou de várias testemunhas. Mas depois devemos ser nós próprios a deixar-nos envolver pessoalmente numa relação íntima e profunda com Jesus; de maneira análoga os Samaritanos, depois de terem ouvido o testemunho da sua concidadã que Jesus tinha encontrado ao lado do poço de Jacob, quiseram falar directamente com Ele e, depois deste colóquio, disseram à mulher: "Já não é pelas tuas palavras que acreditamos, nós próprios ouvimos e sabemos que Ele é verdadeiramente o Salvador do mundo" (Jo 4, 42).

Voltando ao cenário de vocação, o evangelista refere-nos que, quando Jesus vê Natanael aproximar-se exclama: "Aqui está um verdadeiro Israelita, em quem não há fingimento" (Jo 1, 47). Trata-se de um elogio que recorda o texto de um Salmo:  "Feliz o homem a quem Iahweh não atribui iniquidade" (Sl 32, 2), mas que suscita a curiosidade de Natanael, o qual responde com admiração:  "Como me conheces?" (Jo 1, 48a). A resposta de Jesus não é imediatamente compreensível. Ele diz:  "Antes que Filipe te chamasse, eu te vi quando estavas sob a figueira" (Jo 1, 48b). Não sabemos o que aconteceu sob esta figueira. É evidente que se trata de um momento decisivo na vida de Natanael. Ele sente-se comovido com estas palavras de Jesus, sente-se compreendido e compreende:  este homem sabe tudo de mim, Ele sabe e conhece o caminho da vida, a este homem posso realmente confiar-me. E assim responde com uma confissão de fé límpida e bela, dizendo:  "Rabi, tu és o filho de Deus, tu és o Rei de Israel" (Jo 1, 49). Nela é dado um primeiro e importante passo no percurso de adesão a Jesus. As palavras de Natanael ressaltam um aspecto duplo e complementar da identidade de Jesus: Ele é reconhecido quer na sua relação especial com Deus Pai, do qual é Filho unigénito, quer na relação com o povo de Israel, do qual é proclamado rei, qualificação própria do Messias esperado. Nunca devemos perder de vista nenhuma destas duas componentes, porque se proclamamos apenas a dimensão celeste de Jesus,  corremos  o  risco  de  o  transformar num ser sublime e evanescente, e se ao contrário reconhecemos apenas a sua colocação concreta na história, acabamos por descuidar a dimensão divina que propriamente o qualifica.

Da sucessiva actividade apostólica de Bartolomeu-Natanael não temos notícias claras. Segundo uma informação referida pelo historiador Eusébio do século IV, um certo Panteno teria encontrado até na Índia os sinais de uma presença de Bartolomeu (cf. Hist. eccl., V 10, 3). Na tradição posterior, a partir da Idade Média, impôs-se a narração da sua morte por esfolamento, que se tornou muito popular. Pense-se na conhecidíssima cena do Juízo Universal na Capela Sistina, na qual Michelangelo pintou São Bartolomeu que segura com a mão esquerda a sua pele, sobre a qual o artista deixou o seu auto-retrato. As suas relíquias são veneradas aqui em Roma na Igreja a ele dedicada na Ilha Tiberina, aonde teriam sido levadas pelo Imperador alemão Otão III no ano de 983. Para concluir, podemos dizer que a figura de São Bartolomeu, mesmo sendo escassas as informações acerca dele, permanece contudo diante de nós para nos dizer que a adesão a Jesus pode ser vivida e testemunhada também sem cumprir obras sensacionais. Extraordinário é e permanece o próprio Jesus, ao qual cada um de nós está chamado a consagrar a própria vida e a própria morte.


SS Bento XVI

O Santo Sepulcro... vazio!



www.news.nationalgeographic.com


Os Cristãos sempre olharam para o Sepulcro vazio com um testemunho tangível da Ressurreição de Jesus.

Os Peregrinos da Terra Santa percorrem a Palestina tendo por grande objectivo ajoelhar junto ao Sepulcro do Senhor. Que sabemos vazio desde essa manhã gloriosa de Páscoa.

Tocar a pedra, pronunciar uma oração, deixar pedidos e agradecer as bênçãos de uma vida.  Mas é com pena que a pedra do Sepulcro permaneça coberta por uma laje, impedindo que os nossos olhos mergulhem nesse espaço vazio.

Porém, ao fim de muitos décadas, as religiões presentes na Basílica do Santo Sepulcro, signatárias do Status Quo, decidiram fazer uma obra de manutenção que se tornava indispensável. Não foi fácil conseguir o acordo, mas graças a firmeza paciente de Fr. Pierbattista Pizzaballa, ao tempo Custódio da Terra Santa, chegou-se a um entendimento e as obras começaram.

Espera-se que os trabalhos estejam terminados no próximo mês de Janeiro e permitam que os milhões de peregrinos, como nós, que de todo o mundo ali acorrem em cada ano, possam continuar a fazer essa experiência única nos curtos instantes que ali podemos estar.

Muito recentemente, já na fase final dos trabalhos, chegou o momento de retirar a laje que cobre o Sepulcro. A National Geographic Society obteve o exclusivo das filmagens no interior da “edícula” e pode filmar esse momento único em que se pode voltar a contemplar esse misterioso vazio redentor.

Só no próximo mês de Novembro teremos acesso à reportagem completa.

Até lá ficamos com esta imagem que nos acicata ainda mais esta santa curiosidade.

(In, www.news.nationalgeographic.com)