Caná
Em Caná da
Galiléia Jesus realizou o primeiro de seus milagres. Neste lugar transformou a
água em vinho respondendo ao pedido de Maria, Sua mãe. Assim manifestou sua glória
divina e suscitou a fé dos seus discípulos. Em Caná recorda-se também a vocação
do apóstolo Bartolomeu (Natanael), sobre o qual Jesus disse: “Eis um verdadeiro israelita no qual não há
falsidade”.
"É costume servir primeiro o
vinho bom e, depois, quando os convidados já estão quase embriagados, servir o
menos bom. Mas tu guardaste o vinho melhor até agora."
Textos bíblicos
As bodas de Caná
Ao
terceiro dia, celebrava-se uma boda em Caná da Galileia e a mãe de Jesus estava
lá. Jesus e os seus discípulos também foram convidados para a boda. Como viesse
a faltar o vinho, a mãe de Jesus disse-lhe: «Não têm vinho!»
Jesus
respondeu-lhe: «Mulher, que tem isso a ver contigo e comigo? Ainda não chegou a
minha hora.» Sua mãe disse aos serventes: «Fazei o que Ele vos disser!»
Ora,
havia ali seis vasilhas de pedra preparadas para os ritos de purificação dos
judeus, com capacidade de duas ou três medidas cada uma. Disse-lhes Jesus:
«Enchei as vasilhas de água.» Eles encheram-nas até cima. Então ordenou-lhes:
«Tirai agora e levai ao chefe de mesa.»
E
eles assim fizeram. O chefe de mesa provou a água transformada em vinho, sem
saber de onde era - se bem que o soubessem os serventes que tinham tirado a
água; chamou o noivo e disse-lhe: «Toda a gente serve primeiro o vinho melhor
e, depois de terem bebido bem, é que serve o pior. Tu, porém, guardaste o
melhor vinho até agora!»
Assim,
em Caná da Galileia, Jesus realizou o primeiro dos seus sinais miraculosos, com
o qual manifestou a sua glória, e os discípulos creram nele. Depois disto,
desceu a Cafarnaúm com sua mãe, os irmãos e os seus discípulos, e ficaram ali apenas
alguns dias. (Jo 2, 1-12)
Cura do filho de um oficial do rei
Veio,
pois, novamente a Caná da Galileia, onde tinha convertido a água em vinho. Ora
havia em Cafarnaúm um funcionário real que tinha o filho doente. Quando ouviu
dizer que Jesus vinha da Judeia para a Galileia, foi ter com Ele e pediu-lhe
que descesse até lá para lhe curar o filho, que estava a morrer.
Então
Jesus disse-lhe: «Se não virdes sinais extraordinários e prodígios, não
acreditais.» Respondeu-lhe o funcionário real: «Senhor, desce até lá, antes que
o meu filho morra.»
Disse-lhe
Jesus: «Vai, que o teu filho está salvo.» O homem acreditou nas palavras que
Jesus lhe disse e pôs-se a caminho. Enquanto ia descendo, os criados vieram ao
seu encontro, dizendo: «O teu filho está salvo.» Perguntou-lhes, então, a que
horas ele se tinha sentido melhor. Responderam: «A febre deixou-o há pouco,
depois do meio-dia.» O pai viu, então, que tinha sido exactamente àquela hora
que Jesus lhe dissera: «O teu filho está salvo». E acreditou ele e todos os da
sua casa. (Jo 4,46-53)
A
tradição cristã
Numerosos testemunhos relatam um
santuário edificado em Caná pelos cristãos, em memória do primeiro milagre de
Jesus. Eis um testemunho de um peregrino anônimo do século VI:
“(Partidos
de Séforis), depois de três milhas chegamos a Caná, onde o senhor foi as bodas,
e nos sentamos sobre o mesmo lugar, onde eu indigno, escrevi o nome dos meus
pais... das talhas ainda restam duas, eu enchi uma de vinho e a carregando
sobre as costas a ofereci no altar e na mesma fonte nos lavamos por devoção.
Depois fomos a cidade de Nazaré”.
Devido a várias necessidades, em tempos
diversos, a tradição tem colocado o legado evangélico em diferentes lugares;
mas desde o início do século XVI os peregrinos encontraram em Kfar Kanna uma sala subterrânea na qual
se desce pelo interior do edifício em colunas, considerados por eles como uma
igreja construída pelo Imperador Constantino e de sua mãe Helena. Colunas e
capitéis reutilizados no pórtico da Igreja actual recordam o estilo das
sinagogas do séc. III-IV. Uma inscrição em língua aramaica, encontrada debaixo
do piso da igreja diz:
“Bendita
seja a memória de José, fiho de Talhum, filho de Butah, e seus filhos, que
fizeram esta mesa (de mosaico). Que a benção esteja sobre eles”.
Planta
da igreja
Primeira igreja franciscana (1880); Edifício medieval (XIV sec.)
; Sepúlcros bizantinos (V-VI sec.); Vestígios de câmaras privadas (I-IV sec.)
; Sinagoga hebraica com átrio (IV-V sec.).
Os franciscanos, a três séculos presentes
em Caná numa pequena propriedade, foram capazes de resgatar o santuário no ano
de 1879 por obra do padre Egidio Geisser, o fundador da paróquia católica local
de rito latino (cerca de 100 famílias). Uma pequena igreja foi construída no
ano de 1880 e sucessivamente aumentada no decorrer dos anos (1897-1905). No ano
de 1885 foi construída, a 100 metros de distância, uma capela em honra de S.
Bartolomeu (Natanael), um dos doze apóstolos, nascido em Caná. Escavações
arqueológicas, conduzidas pelo padre S. Loffreda em 1969 e pelo padre E.
Alliata no ano de 1997, demonstraram que a sinagoga, construída sobre ruínas de
antigas casas (séc. I-IV), possuía um átrio com porticos, tendo ao centro uma
grande cisterna, conservada até hoje no subsolo da igreja atual. Na abside
setentrional da igreja foi reencontrada uma abside ainda mais antiga contendo
um sepulcro do séc. V-VI. Tal sepulcro juntamente com outros indícios, parecem
indicar uma presença cristã no lugar durante a época bizantina.



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